terça-feira, 19 de julho de 2011

IV MOSTRA DELINHO DE CINEMA - DE 23 A 30 DE JULHO - ESTIVA/MG

Mostra Delinho de Cinema chega a sua quarta edição


Abertura da primeira MOSTRA DELINHO DE CINEMA em 2008

A cidade de Estiva/MG entre 23 e 30 de julho se transformará mais uma vez na Capital Mineira do Cinema Nacional, neste período acontecerá à quarta edição da tradicional MOSTRA DELINHO DE CINEMA, serão oito dias de curtas e filmes em diferentes locais do Município, todos nacionais e o melhor de tudo é que é gratuito: cinema, pipoca e muita cultura!

Neste edição o projeto tem duas grandes novidades, uma delas é que serão dois dias de filmes para criançada, com dois filmes infantis (nos dias 26 e 27). A organização do projeto alcançou uma grande e importante conquista, a parceria entre a MOSTRA e o Núcleo de Preservação da Memória Política, visite o site do Núcleo: http://www.nucleomemoria.org.br/

Um filmes em especial, o documentário ECOS que será exibido no dia 25 (segunda feira) na Câmara de Vereadores, tem um caráter diferente dos outros obras, ele será apresentado em lembrança e respeito a memória de Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, ex-prefeito de Campinas/SP, assassinado em 2001. O documentário que narra detalhes do caso é uma forma de pedir JUSTIÇA e de prestar solidariedade à família, uma vez que este ano completam-se 10 anos de morte e até hoje o crime não foi esclarecido. Teremos a participação de familiares neste exibição.

Enfim, tá feito o convite, todos estão convidados para assistir os curtas e filmes da quarta edição deste importante evento cultural que acontece em nossa cidade. A pipoca, filmes, a alegria e a cultura é por conta da organização da Mostra Delinho de Cinema, agora é só conferir os filmes, esperamos por você!

Quem é DELINHO?

A MOSTRA DELINHO DE CINEMA tem esse nome em homenagem a Disidério Efigênio, nosso querido DELINHO.

Delinho, como todos chamam, é um personagem folclórico que quase toda cidadezinha do interior possui. Em 2004, o cineasta Flávio Chiarini, escreveu um roteiro para o Projeto Revelando os Brasis do Ministério da Cultura, o roteiro foi selecionado entre quase 500 projetos de todo país. O roteiro contava a história de Delinho, com isso, foi produzido um curta metragem de 15 minutos, com entrevista de pessoas da cidade e do ator principal; Delinho, falando de sua vida.

O curta se chama A HISTÓRIA DE DELINHO, e foi apresentado em várias cidade do Brasil e na TV CULTURA. A MOSTRA é uma simples homenagem a Delinho, único estivense imortalizando pela sétima arte.

10 anos sem Toninho

Sobre o documentário ECOS

Diretores Pedro H. França e Guilherme Manechini

O documentário conta a trajetória do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, assassinado em 10 de setembro de 2001. Produzido para a conclusão do curso de Jornalismo da PUC em 2007, tem o cerne da questão - crime comum ou político? - como a linha-guia do trabalho que inclui entrevistas da viúva de Toninho, Roseana Garcia, da filha do casal, Marina Santos, de amigos, companheiros de militância, autoridades e suspeitos.

O que é Núcleo de Preservação da Memória Política:

O Núcleo de Preservação da Memória Política (também conhecido como Núcleo Memória) surgiu primeiramente como um grupo de trabalho fundado dentro do contexto de atividades do Fórum Permanente de ex Presos e Perseguidos politicos de Sao Paulo, uma entidade fundada em Sao Paulo no ano de 2001 para defender os interesses dos ex-prisioneiros politicos e perseguidos durante a ditadura militar no Brasil (1964/1985) .

O Núcleo se desenvolveu como uma instituição independente a partir de fevereiro de 2009 e sua atividade principal consiste em trabalhar para a promoção de políticas públicas nas questões referente à Memória Política. Suas atividades também se concentram na defesa dos Direitos Humanos e em ações educativas. Promove, com outras entidades similares no Brasil, a conscientização dos organismos públicos e privados para transformar os lugares onde se praticaram atrocidades em memoriais de referencia.

Durante o ano de 2008, os integrantes do Núcleo estiveram envolvidos como entidade assessora da Secretaria de Cultura de São Paulo e da Pinacoteca do Estado na transformação do prédio onde funcionou a sede do DEOPS (Departamento de Ordem Política e Social ) convertido, desde janeiro de 2009, no Memorial da Resistência , primeiro projeto museológico de Memoria no Brasil.

Desde Março 2009, o Núcleo Memória é o primeiro membro institucional brasileiro da Coalizão Internacional de Museus de Consciência em Lugares Históricos ( em inglês sigla ICSC – International Coalition of Sites of Conscience - www.sitesofconscience.org).




PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA IV MOSTRA DELINHO DE CINEMA

Dia:23/07 - Sábado
Local: Teatro de Arena Praça da Matriz -20h
Filme: LULA,O FILHO DO BRASIL

Dia:24/07 - Domingo
Local: Bairro São Pedro - 19h
Curta: AGENOR, FERRO VÉIO
Filme: O CORINTIANO (MAZZAROPI)

Dia:25/07 – Segunda Feira
Local: Câmara Municipal de Vereadores – 19h
Filme: ECOS (Documentário sobre a morte do Prefeito Toninho de Campinas/SP)

26/07 – Terça Feira - Sessão Infantil
Local: Centro Cultural Estivense – 19h –
Curta: FESTA NO CÉU
Filme: O GRILO FELIZ E OS INSETOS GIGANTES

27/07 – Quarta Feira - Sessão Infantil
Local: Centro Cultural Estivense – 19h –
Curta: BICHOS
Filme: EU E MEU GUARDA CHUVA

28/07 – Quinta Feira
Local: Bairro Boa Vista - 19h
Filme: QUINCAS BERRO D`ÁGUA

29/07 – Sexta Feira
Local: Bairro Guarda Faca - 19h
Curta: DESTRUIÇÃO DE UM TEMPLO
Filme: CHICO XAVIER

30/07 – Sábado
Local: Teatro de Arena da Praça Matriz -20h
Curta: A HISTÓRIA DE DELINHO
Filme: DIÁRIOS DE MOTOCICLETA

O Cartaz da IV edição da Mostra Delinho de Cinema

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Escola Estadual Cônego Francisco Stella adota praça

Os alunos do 3º ano B, do período matutino da Escola Cônego Francisco Stella, através de um projeto desenvolvido por professores e pela direção da escola adotaram um espaço que fica em frente ao prédio da instituição de ensino, o local estava abandonado.



Os recursos financeiros para revitalização do espaço vieram dos próprios alunos que dividiram os gastos da grama e da mão de obra para o plantio, a tinta foi doado pela escola, a muda do flamboyant foi doada por um ex aluno da escola.



No local antes existia duas árvores da espécie sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides) que foram cortadas pela prefeitura de Estiva, depois disso o local foi abandonado, as árvores cortadas não colocavam em riscos e nem estava doentes, foram retiradas sem um motivo técnico plausível.


Graças à direção e os esforços dos alunos o local foi revitalizado, porém, mesmo com toda mobilização a Prefeitura tentou impedir o plantio, afirmando que existia um projeto de praça para o local e por isso não poderiam autorizar o pedido dos alunos para adotar o espaço.


Fica aqui o registro desta importante iniciativa dos alunos do 3º ano B, agora é cuidar do local e esperar a árvore crescer, dar flores, fazer muita sombra e embelezar o local!



Guilherme Abraão, eleitor estivense, estudante universitário e ambientalista

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quem será que ta pagando o Sinhô Dotor Adevogado?


O senhor prefeito João Gualberto Rezende Júnior e o ex diretor de Cultura Danilo da Costa Rosa, são réus do processo 0162920-12.2010.8.13.0525, a Ação Civil de Improbidade Administrativa foi proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais, supostamente os réus causaram Danos ao Erário Público, ou seja
ao Município de Estiva/MG. A tal denúcia do MP e o processo não é novidade para ninguém, muitas pessoas foram ouvidas pelo MP e hoje Danilo da Costa Rosa já não está mais a frente da pasta, que inclusive não existe mais(neste ponto observamos a importância dada pelo prefeito a esta importante área.. )

Porém, o que chama atenção neste processo é motivo para escrevemos este texto que tem o desafio de noticiar o fato e "provocar"  um posicionamento dos envolvidos e de outras entidades tais como a OAB Pouso Alegre, do MP e da Câmara de Vereadores e dos réus.

Desde já fica nosso contato para eventuais esclarecimentos para quem quiser: nosso email: gestao.eco.ambiental@gmail.com

Vamos ao fato; quem são os advogados do senhor prefeito do ex diretor de cultura?

Do prefeito é o senhor advogado Leandro Correa De Oliveira ( que também é advogado da Câmara Municipal de Estiva/MG) e a senhora Lezieny Monroe Pereira De Oliveira é a advogado do senhor Danilo da Costa Rosa. A nobre advogada do réu é também advogada do Município de Estiva, aqui está um dos pontos emblemáticos do processo!

Como pode a advogado do Município defender uma pessoa que segundo o MP pode ter causado danos "aos cofres" do Município, não existe um conflito de interesses neste ponto?

O que será que diz o Estatudo da OAB ou o Código de Ética?

O segundo ponto:

Se o Município tem Procurador por quê o senhor prefeito contratou um outro advogado?
Se ele estiver pagando os honorários com seus próprios rendimentos  não existe problema algum, mas, se for o Município que esta custeando sua defesa no processo não é correto contratar um advogado particular uma vez que ele tem um profissional que é pago exatamente para isso!

Fica aqui noticiado mais um fato estranho da administração municipal.

Entretanto, vale observar e afirmar que o Blog em nenhum momento acusou qualquer um dos citados  de cometar qualquer tipo de crime, apenas noticiou um detalhe do processo, porém, ficamos e desejamos um contato dos citados para esclarecer melhor este dois pontos, assim, anotem ai nosso endereço se quiserem responder este texto: gestao.eco.ambiental@gmail.com

Acompanhe o processo:

 
Da redação....





segunda-feira, 4 de julho de 2011

Matéria sobre A$FALTAMENTO das ruas centrais de Estiva/MG


Segue abaixo matéria do jornal "O Registro do Sul de Minas/Extrema/MG", publicada em 11 de junho de 2011.


Algumas perguntas a respeito da matéria:

1º. Quem escreveu o texto, por que ninguém assinou?
2º. A obra tem licitação?
3º. Serão apenas a$faltadas as ruas dos centro, e as demais ruas, como as do Bairro São Pedro, Vista Alegre e Padre Victor?
4º. As ruas a$faltadas serão devidamente sinalizadas?
5º. Foram feitos estudos sobre o impacto da obra?Irão construir galerias para as águas pluviais?

Ficamos por enquanto com estas 5 perguntinhas, quem sabe alguêm do administração municipal nos ajude respondendo...

Da redação....

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Semana do Meio Ambiente leva cultura, conscientização e lazer aos estivenses


Foram cinco dias de intensas atividades culturais, esportivas e de conscientização, todas com grande participação popular, tudo isso aconteceu na Semana do Meio Ambiente Euzébio Messias de Andrade que foi realizada entre os dias 22 e 26 de junho, o projeto reuni várias ações em defesa da natureza que formam um grande evento que é tradicional em Estiva/MG.


Plantio de Ipê Rosa Estádio Municipal

No primeiro dia crianças das escolas da cidade, da APAE e do PETI participaram do plantio de árvores, ao todo oito ipês rosa foram plantados. Pela tarde ocorreu uma palestra sobre eficiência energética na escola estadual Eduardo Amaral.


Plantio II Pedalada - Pau Brasil

No segundo dia, atividades esportivas como peteca, beedminton e tão esperado e grandioso torneio de taco, muitas crianças foram para Praça da Matriz participar das atividades. Para fechar o dia, a noite tivemos o show de viola da dupla JBatista e Cristiano, que relembraram grandes sucessos do sertanejo raiz e para finalizar os dj`s Joshua e Batuta se apresentatam com músicas eletrônicas.

Plantio de Ipê Rosa por crianças

No terceiro dia no estádio municipal seis equipes vindas de Pouso Alegre, Córrego do Bom Jesus, Camanducaia e três equipes de Estiva; Cesal, Pântano dos Rosas e Estiva, disputaram seus jogos. O torneio Semeando o Futuro teve participação de quase 100 atletas, ocorreu plantio de árvore, execução do hino nacional, e todos os atletas receberam medalhas pela participação, ao fim do dia a equipe de Córrego sagrou-se campeã nos pênaltis em um jogo emocionante.


Mais um Ipê Rosa sendo plantado

No sábado vários artistas de Estiva subiram ao palco do correto da Praça da Matriz, as apresentações foram até o inicio da noite, também teve roda de capoeira. Para encerrar com chave de ouro a semana no domingo mais de cem pessoas participaram da II Pedalada Ecológica, o destino foi o bairro Boa Vista, onde os participantes plantaram árvores e aconteceu um sorteio de uma bicicleta, os alimentos arrecadados serão doados as famílias em risco social da cidade.

Mais de 100 pessoas participaram da II Pedalada Ecológica

Ao fim a sensação da comissão organizadora do projeto é de dever cumprido, apesar das dificuldades, iremos continuar e já começamos a pensar e planejar as atividades da próxima edição que acontecera em 2012.

Criançada antes do plantio dos ipês rosa

Crianças com as mudas dos ipês rosa

terça-feira, 28 de junho de 2011

Operação Pasárgada : Prefeito de Estiva/MG pode ser condenado pelo TJ/MG




Esta marcada para o próximo dia 29 de junho, às 13h30 a Sessão de julgamento da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais - Unidade Raja Gabaglia, do processo 1.0000.09.511423-7/000.

JOÃO GUALBERTO REZENDE JUNIOR, Prefeito de ESTIVA/MG

O relator do processo o desembargador Herbert Carneiro poderá condenar os envolvidos em um suposto esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Os acusados ficaram conhecidos quando em 2008 a Policia Federal deflagrou a Operação Pasárgada, onde empresários, advogados e prefeitos começaram a ser investigador e alguns até foram presos pela PF.
 
Entre os acusado do suposto esquema está o Prefeito de Estiva, João Gualberto Rezende Júnior, caso ele seja condenado ficará impossibilidado de concorrer a cargos eletivos, uma vez que será condenado por um Colegiado de um Tribunal Superior, com isso Gualberto seria enquadrado na Lei de Ficha Limpa e ainda pode ser obrigado a devolver os valores desviados das contratações sem licitação,porém, cabe recurso.

O que foi a Operação Pasárgada (Minas Gerais)
 
Teve por objetivo desarticular esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) envolvendo os municípios de Açucena, Águas Vermelhas, Almenara, Bocaiúva, Cachoeira da Prata, Cipotânea, Estiva, Itambacuri, Juiz de Fora, Minas Novas, Nova Belém, Patrocínio, Pedro Leopoldo, Ponte Nova, Rubim, Salto da Divisa, Santa Bárbara do Leste, Tapira, Timóteo, Vespasiano, Mateus Leme e Conselheiro Lafaiete, bem como Cansanção e Sobradinho no Estado da Bahia. Mediante contratação, pelos prefeitos, de um escritório de advocacia que oferecia vantagens a juizes e servidores da Justiça para obter decisões favoráveis e, depois, os honorários eram divididos com os prefeitos que os contratava.
Fonte:
http://www.cgu.gov.br/AreaAuditoriaFiscalizacao/AuditoriasEspeciais/2008.asp#pasargada 




quarta-feira, 22 de junho de 2011

PROVOCAÇÕES

“Não declare que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado”
Desde quando o conceito de ambientalismo surgiu, pra ser um pouco cauteloso, a partir de década de 60, somos perseguidos por nossos conceitos, ideias, e formas de enxergar o mundo não só na sua estrutura, mas sim em sua essência. Pessoas como Marina Silva, Washington Novaes, Leonardo Boff, Chico Mendes, Al Gore entre outros sofrem críticas constantes por sua visão de desenvolvimento que foge ao tradicional onde tudo se resume a grandes obras imediatistas em nome de um desespero político estampado no rosto das pessoas que discutem o poder, e não ideias.
O desespero adentrou a administração de nossa querida Estiva, não só servindo o modelo tradicional de “desenvolvimento” onde precisam mostrar alguma coisa pra tentar superar o descrédito de quase oito anos de omissão, arbitrariedade, falta de planejamento estratégico, picuinhas, denuncias de desvio de dinheiro público, improbidade administrativa, desrespeito, entre inúmeras falhas de gestão, o digníssimo Sr. Prefeito João Gualberto, agora tenta alavancar (através da sua visão míope de desenvolvimento) as eleições de 2012 através de sua mais importante obra imediatista e desesperada, o asfaltamento das ruas da cidade, e se não bastasse, cai no desespero novamente de nos atacar(ambientalistas) em matéria publicada em jornal de circulação regional.
Não iremos discutir a obra neste texto, pois precisaríamos de um texto somente pra isso, mas gostaríamos de abordar as provocações feitas pelo referido prefeito que mais uma vez se mostra acuado pela história e como todo animal acuado tenta se defender atacando.
Por favor, Sr. Prefeito, pára com esta história de que é maconheiro, doidão, um mal pra sociedade, vocês que são os vilões da história, vocês que pegaram o bonde errado na história e terão que conviver com isso por toda as suas vidas, e não tente nos vitimar, pois não somos vossas vítimas e sabe por que? Porque vocês não tem grandeza nem potência pra isso; vocês são uns vilõeszinhos de meia tijela.
Nosso movimento e ideias vem crescendo a cada dia, e cada vez mais ganhando novos adeptos, nossas ideias florescem como a primavera enquanto vocês são ideologicamente estéreis, pois estão preocupados em discutir o poder e esconder da população todas suas artimanhas de governo centralizador e ditatório.(Hitler aplaude)
E por final, acreditamos na nossa meia dúzia que vale por milhões, e podem ter certeza que nossas idéias tomarão as ruas, se instalará no seio da sociedade, nos organizaremos em cada esquina, em cada escola, junto aos trabalhadores que almejam um futuro mais justo, transparente e comum.
“Não me intimido com qualquer inimigo, eu confio na força do povo, que por enquanto está desunido”
Renan Andrade Pereira
Ambientalista

quinta-feira, 2 de junho de 2011

AUDIÊNCIA PÚBLICA NA ALERJ DISCUTE ATERRO SANITÁRIO DE SEROPÉDICA NO RIO DE JANEIRO


Deputados sugerem instalação de CPI para apurar irregularidades da ‘máfia do lixo’.
 
FONTE - Jornal ADUR (*)
 
Desde 2007, a comunidade de Seropédica está mobilizada contra a instalação de um aterro sanitário no município, denunciando – por meio de iniciativas como debates com especialistas, panfletagem, passeatas e outras manifestações públicas – os riscos do empreendimento para a região.
 
Como mais um capítulo dessa luta da sociedade civil, no último dia 27 de maio houve uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ, para discutir o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) / Santa Rosa em Seropédica, que, embora não esteja concluído, está em operação desde 20 de abril, recebendo cerca de mil toneladas de lixo diariamente.
 
Ele tem como finalidade substituir o aterro sanitário de Gramacho (Duque de Caxias), que deve ser completamente desativado até 2012. A partir de então, a estimativa é que o CTR/Santa Rosa receba aproximadamente nove mil toneladas de lixo todos os dias.
 
A polêmica que gira entorno do empreendimento chegou à ALERJ, quando foram apontadas várias irregularidades envolvendo interesses de empresas privadas e de políticos no Estado. Alguns parlamentares sugeriram que a Casa Legislativa levasse adiante a proposta de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI para apurar as denúncias, que, estão devidamente formalizadas em um dossiê intitulado “Lixo e Corrupção no Rio de Janeiro”, apresentado por Leonardo Aguiar Morelli.
 
Ele é representante da  Defensoria Social, um colegiado de instituições que atua na defesa da sociedade em demandas coletivas em prol da paz e da sustentabilidade, criada como Gesto Concreto das Campanhas da Fraternidade com apoio da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB.
 
“O processo de instalação do CTR/Santa Rosa em Seropédica é fraudulento desde a sua origem. Tenho documentos que comprovar o conluio entre os poderes públicos e empresas de interesse privados”, falou, exibindo cerca de 200 páginas do referido dossiê. “Temos que pedir a prisão preventiva do governador Sérgio Cabral, do Prefeito Eduardo Paes e do secretário de estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc”, disse Morelli em plenário, sob fortes aplausos.
 
A audiência pública foi promovida pelas comissões de Saneamento Ambiental, Meio Ambiente e Saúde da ALERJ como resultado de uma manifestação pública realizada pela comunidade de Seropédica no dia 31 de março, nas escadarias da Assembleia Legislativa. Na ocasião, os participantes ocuparam as galerias do prédio e expuseram sua indignação com aterro sanitário na cidade.
 
No dia 4 de abril, o deputado Paulo Melo (PMDB), presidente da ALERJ, recebeu alguns representantes da luta contra o aterro sanitário em Seropédica para ouvir suas reivindicações. Naquele momento, foi acertada a realização da audiência pública de 27 de maio, cujos trabalhos foram presididos pela deputada Aspásia Camargo (PV).
 
Compondo a mesa da audiência pública, estiveram os deputados Lucinha (PSDB), Janira Rocha (PSOL), Paulo Ramos (PDT), Andreia Busatto (PDT), Zaqueu Teixeira (PT) e Waguinho (PRTB). A empresa Haztec, que está à frente da gestão do CTR/Santa Rosa, se fez representar pela funcionária Adriana Filipeto. Ana Cristina Souza dos Santos, presidente da ADUR-RJ - Seção Sindical do ANDES-SN, representou o Fórum de Mobilização Contra o Aterro Sanitário – entidade formada, hoje, por moradores de Seropédica, organizações sociais, estudantes, professores e técnicos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ.
 
O Reitor da instituição, Ricardo Motta Miranda, também integrou o grupo. O plenário e as galerias da ALERJ foram ocupados por moradores e representantes da cidade de Seropédica e de regiões adjacentes e pela comunidade universitária. O plenário e as galerias da ALERJ foram ocupados por moradores e representantes da cidade de Seropédica e de regiões adjacentes e pela comunidade universitária. Foram disponibilizados quatro ônibus para a participação no evento, tendo havido um número expressivo de estudantes do campi da UFRRJ em Três Rios.
 
“Vamos tratar desta questão com seriedade”, disse Ana Cristina
 
A Profa. Ana Cristina Souza dos Santos relatou a luta que a comunidade de Seropédica tem travado há bastante tempo para frear a construção e, agora, o funcionamento do aterro sanitário no local. Disse que ela e outros participantes do Fórum de Mobilização estiveram em empreendimentos semelhantes, como o que existe no bairro de Adrianópolis (Nova Iguaçu), e que, em pouco tempo de funcionamento, já têm apresentado problemas. “Temos que tratar desta questão com seriedade. A forma que o Estado, através do seu órgão licenciador (INEA), tem encaminhado o tratamento de resíduos revela total falta de competência e de responsabilidade.
 
O local do CTR/Santa Rosa fica muito próximo ao reservatório de água potável, que é o Aquífero Piranema”, disse a docente, lembrando que este é o segundo maior reservatório de água doce do país. “Além disso, Seropédica é uma região com vocação agrícola e as propriedades rurais estão a menos de um quilômetro do aterro. Especialistas da UFRRJ têm demonstrado em trabalhos técnicos, devidamente entregues aos órgãos competentes, que o empreendimento está em um local inadequado. Há risco de crime ambiental”, afirmou.
 
Representando a Universidade Rural, o Prof. Jorge Xavier da Silva – geógrafo e um dos maiores especialistas na área – apresentou em um telão imagens que comprovam que o CTR/Santa Rosa está mal localizado. Questionou as declarações do representante da empresa Ciclus em reportagem exibida, recentemente, pela TV Globo. “Queria saber se o funcionário da empresa que vai administrar o aterro e que me desmentiu em entrevista à Rede Globo, está aqui no plenário.
 
Quero que ele veja que os mapas que exibimos foram cedidos pela própria empresa e que eles comprovam que existem recursos hídricos ao redor do aterro”, disse. “É inquestionável a existência de rios, lagos e brejos na localidade do CTR, que está praticamente sobre o Aquífero”, alertou o especialista, revelando que, de acordo com leis estaduais, não é permitida a construção de aterros sanitários próximos aos recursos hídricos. “Além da riqueza do manancial, na área do CTR ocorrem inundações. Outro agravante é o registro de malária naquela região”, complementou o docente.
 
“CTR/ Santa Rosa não é aterro. É um lixão maquiado”
 
O Prof. Cícero Augusto Prudêncio Pimenteira, especialista em planejamento estratégico, apresentou fotografias de recente Visita Técnica ao CTR/Santa Rosa. Também combativo, o docente da UFRRJ disse que o empreendimento fere a Constituição e várias leis de promulgadas como a de nº 3.111/1998.  Ele ainda enumerou as irregularidades que observou no local do CTR/Santa Rosa.
 
Dentre vários pontos, destacou os indícios de captação ilegal de água do próprio aquífero a partir de poços ou da sucção direta de uma lagoa; solapamento da área; camadas muito finas das mantas para a impermeabilização do local; sensores – cuja tecnologia é dos Estados Unidos – que não estão em funcionamento para detectar possíveis vazamentos de resíduos do lixo; precariedade na confecção de um cinturão verde na área; ausência de medidas para controle de roedores e marsupiais; e a existência de uma ‘lagoa’ de chorume.
 
“Estamos em Seropédica desde o final da década de 1940. A UFRRJ tem grandes especialistas que poderiam ter orientado o governo do Estado e os órgãos competentes na elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Não fomos consultados. A Universidade tem um levantamento das espécies da fauna e da flora da região que estão em área remanescente da Mata-Atlântica e que, como era de se esperar, não foram contempladas no EIA/RIMA do empreendimento”, disse o Prof. Cícero.
 
Representante da Comlurb e da Haztec não convencem plenário
 
 Moradores, representantes da cidade de Seropédica e da comunidade universitária que estavam na ALERJ reagiram com indignação diante das declarações do subsecretario estadual de Meio Ambiente, Luiz Firmino. “Aterro sanitário, de acordo com determinações internacionais, é uma política adequada para países em desenvolvimento. Jogamos no aterro o que não pode mais ser aproveitado. Não há nada de ilegal no caso de Seropédica porque houve um licenciamento dado pelo INEA.
 
A Companhia Municipal de Limpeza Urbana - Comlurb não teria qualquer iniciativa de depositar o lixo na região se não houvesse o respaldo dos órgãos ambientais competentes”, disse. “Por mim, poderiam depositar o aterro até mesmo na Zona Sul. Mas, estudos técnicos demonstraram que aquela região era adequada”, finalizou, em tom jocoso.
 
Pela Haztec, Adriana Filipeto ressaltou que o CTR possui tecnologia suficiente para garantir o destino adequado do lixo, sem riscos para o meio ambiente. “Vamos contribuir para a erradicação dos lixões irregulares, que acomodam 70% de tudo que é descartado no Brasil”, disse.
 
Apoio da ALERJ para interromper funcionamento do CTR
 
De acordo com a Vereadora Maria José Sales Ferreira, a atual bancada Legislativa de Seropédica está em luta para impedir que este aterro continue em funcionamento na cidade. Ela revelou que em, 2007, o então prefeito Darci dos Anjos enviou projeto de emenda à lei orgânica municipal para reduzir a área de proteção ambiental, para que o aterro fosse instalado. “Queremos o apoio da ALERJ para suspendermos o funcionamento do aterro sanitário na cidade”, disse, lembrando que a população do município já deixou claro que não está de acordo com o empreendimento no local.
 
CPI para apurar irregularidades da “máfia do lixão”
 
De acordo com Leonardo Morelli, representante da Defensoria Social, o caso do aterro sanitário em Seropédica não pode ser pensado de forma dissociada do modelo econômico que ameaça a sociedade. “Vivemos uma crise civilizatória. O mercado é a grande pedra de toque e as elites se colocam contra a maioria da população. Temos que relacionar a luta da comunidade de Seropédica àquela dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA)/ ThyssenKrupp, à batalha dos moradores de Niterói (RJ) que perderam suas casas no deslizamento do Morro do Bumba.
 
“Lutamos contra a corrupção e contra um modelo econômico. Devemos sair daqui, hoje, com a indicação de que esta Casa Legislativa levará adiante a instauração de uma CPI para apurar as irregularidades da chamada ‘máfia do lixo’, que atua neste Estado. A ALERJ está de posse do dossiê que apresenta documentos que comprovam o envolvimento do Executivo e do Judiciário com interesses de empresas privadas.
 
Temos que pedir a prisão preventiva do Sérgio Cabral, do Eduardo Paes e do Carlos Minc, que sustentaram a construção do aterro sanitário na Baixada porque estão de olho no Arco Metropolitano e nas obras de embelezamento da cidade para os eventos esportivos que o Rio de Janeiro sediará em breve”, bradou Leonardo, muito aplaudido.
 
Os deputados Paulo Melo e Janira Rocha disseram que a mobilização da comunidade é importantíssima. O primeiro, inclusive, sugeriu que a população colocasse interditasse a rodovia para impedir o tráfego dos caminhões de lixo. “Vamos ganhar as ruas. Não podemos depender das instituições”, afirmou. Cada cidade deve ser responsável pelo lixo que ela mesma produz”, falou Paulo Melo.
 
Janira Rocha disse que a ALERJ não pode ser entendida como simples mediadora. “Temos que ter um posicionamento político e já escolhi o meu lado”, enfatizou ao declarar total apoio à luta da comunidade seropedicense. “As denúncias expostas aqui não podem cair no leito comum. Devem ser investigadas por uma CPI”, disse a parlamentar.
 
A deputada Lucinha, famosa por ter sido uma das lideres no movimento que impediu a instalação do aterro sanitário em Paciência, também foi taxativa: “O INEA é imoral por ter ignorado a lei que proíbe a instalação de aterro sanitário ou lixões em área de aquífero. Temos que estudar o dossiê “Lixo e corrupção no Rio de Janeiro” e bancar a abertura de uma CPI na casa. Vai ser difícil, mas, temos que tentar”, avaliou.
 
(*) (Veículo de Comunicação da
Associação dos Docentes da
Universidade federal Rural do Rio de Janeiro

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ministério do Meio Ambiente alerta que texto de Aldo sobre Código Florestal estimula crime ambiental

O Ministério do Meio Ambiente enviou nesta sexta-feira à Casa Civil levantamento apontando pelo menos dez problemas no texto que o relator do Código Florestal, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), queria votar na quarta-feira à noite, sendo o mais grave a inclusão de anistia a desmatadores – que a presidente Dilma Rousseff havia prometido vetar ainda na campanha eleitoral. Outro ponto do relatório de Aldo, classificado pelo ministério como desastroso, é abertura de crédito a produtores que cometeram infrações ambientais. Reportagem de Catarina Alencastro, em O Globo.
- Voltamos à situação em que o crime ambiental compensa. A implicação prática disso é desastrosa – disse nesta sexta-feira João de Deus Medeiros, diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, representante do ministério nas negociações sobre o Código.
As mudanças de última hora feitas por Aldo eram de conhecimento do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Mas outra versão tinha sido apresentada antes ao líder do PT, Paulo Teixeira (SP). O relatório do ministério encaminhado à Casa Civil é mais um sinal de que um entendimento ainda está longe.
Texto permite crédito a infrator
No texto de 36 páginas levado à votação, foi incluído um parágrafo (o 5º) no artigo 33. Embora a redação do trecho seja confusa, técnicos do MMA entendem que, na prática, o texto diz que todas as multas serão suspensas mediante recuperação de áreas desmatadas – com o que o governo concorda. Mas, ao mesmo tempo, legaliza as chamadas áreas consolidadas, ao desobrigar o produtor de reflorestá-las. Áreas consolidadas são as de vegetação nativa (floresta) convertida em plantio ou pasto até julho de 2008.
- Ou você faz uma coisa ou outra: recuperar áreas consolidadas e ao mesmo tempo mantê-las são coisas incoerentes, incompatíveis. É dar anistia. O governo nunca trabalhou com essa hipótese – disse Medeiros.
O Meio Ambiente questiona ainda a decisão de Aldo de retirar do texto um artigo inteiro, o 58, que tornaria impossível a concessão de crédito rural para quem tiver infração ambiental confirmada em decisão definitiva de procedimento administrativo. O ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc (PT-RJ) também disse nesta sexta-feira que a retirada desse mecanismo “é muito grave”:
- Você continua financiando o destruidor do meio ambiente. Corte de crédito a desmatadores foi essencial para termos chegado à menor taxa histórica do desmatamento na Amazônia. Se isso for mesmo alterado, não vamos continuar conseguindo combater o desmatamento nem na Amazônia, nem no cerrado, nem na caatinga.
Vaccarezza e Aldo argumentam que o texto a que os líderes partidários tiveram acesso algumas horas antes de o relatório de Aldo ser lido no plenário era apenas um conjunto de propostas do governo, e que não houve acordo final em torno dele. E que só Aldo, como relator, tem autonomia para acatar ou rejeitar tais sugestões.
- A Casa Civil nunca fez relatório para o Aldo. Quem fez o relatório foi o relator. O governo pode sugerir propostas a ele, mas a Casa Civil não era relatora. Não houve texto de acordo na Casa Civil. O governo apresentou uma proposta ao relator – afirmou Vaccarezza. – O texto que entreguei na mão do Paulo Teixeira, eu pedi para ele ler e rasgar. E para não divulgar. Esse texto seria sugerido ao Aldo. Depois disso, eu, Aldo e os líderes discutimos. A maioria das sugestões, o relator aceitou; outras, não – disse Vaccarezza.
Uma terceira questão problemática apontada pelo estudo do MMA está no artigo 3 do texto de Aldo: ao suprimir o trecho que estabelecia que a previsão de “pousio” (descanso que se dá a pastos e lavouras) é apenas para pequenos agricultores, fica em aberto que a prática deve ser obedecida por todos. Na avaliação técnica do MMA, grandes produtores mal intencionados poderão fazer desmatamentos em novas áreas, e justificá-los como sendo pousios. E o poder público não terá como fiscalizar isso.
DEM quer votar projeto terça-feira
O governo ainda não decidiu como procederá daqui para a frente em relação ao texto. Dá sinais, porém, de que continuará tentando eliminar suas diferenças com o relator e usará a próxima semana para essa negociação, já que a Câmara estará esvaziada pela ausência de seu presidente, Marco Maia (PT-RS), e dos líderes de PT e PMDB. O DEM, entretanto, apresentou nesta sexta-feira requerimento convocando sessão extraordinária para a matéria ser votada terça-feira.
Além das polêmicas de mérito, a discussão do Código Florestal provocou ruído entre Aldo Rebelo e a ex-senadora Marina Silva também difícil de ser solucionado. Nesta sexta-feira, o deputado repetiu que pediria desculpas a Marina, mas negou que tenha errado ao evitar, como líder do governo em 2004, o depoimento do marido da ex-senadora, Fábio Vaz, à época acusado de se envolver num suposto esquema de contrabando de madeira. Segundo ele, o caso já estava sendo apurado em outro âmbito, e a oposição queria usá-lo para provocar o governo na Câmara:
- A investigação estava em curso no Ministério Público. Queriam fazer uma provocação política com o governo. O objetivo de investigar já estava sendo cumprido.
Mas Aldo negou que tenha articulado com a bancada governista para que o caso fosse abafado na Câmara, apesar de ter dito isso na quarta:
- O requerimento foi retirado de pauta porque o proponente estava ausente.
EcoDebate, 16/05/2011
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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Votação do Código Florestal está adiada indefinidamente, diz líder do governo na Câmara


Publicado em maio 13, 2011 por HC

Obstrução dos partidos da base aliada impediu que a proposta fosse analisada na quarta-feira; oposição quer votar o texto na próxima semana
O líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que o projeto do novo Código Florestal (PL 1876/99) não deverá ser votado na próxima semana. Segundo ele, não há previsão, por parte do governo, para a proposta do novo código entrar novamente na pauta do Plenário.
A razão é que o Executivo quer que sejam votados pelo menos três das oito medidas provisórias (MPs) que perdem a validade no dia 1º de junho. Vaccarezza disse que havia um acordo com a oposição para votar o código antes das MPs, mas que a discussão de quarta-feira (11) demonstrou não ser possível votar um projeto tão polêmico de forma apressada – devido à obstrução da base aliada, o Plenário acabou não votando a proposta.
No entanto, o líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), que está no Acre, afirmou por meio de nota que seu partido quer que o Código Florestal seja votado na próxima semana. “Há um acordo em torno disso. O governo não pode simplesmente querer inverter a ordem das matérias porque sua base está desalinhada”, disse.
Vaccarezza disse que vai abrir uma negociação com a oposição para avançar nas votações de MPs, e acredita que não haja grandes dificuldades, uma vez que, apesar das disputas políticas em torno da flexibilização de licitações para as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, incluídas na MP 521/10, as reivindicações da oposição podem ser atendidas.
Além disso, o líder lembrou que o presidente da Câmara, Marco Maia, não estará no Brasil na semana que vem – ele viajou nesta quinta-feira para participar da 2ª Cúpula Parlamentar do G-20, na Coreia do Sul. “Não que outros deputados, ou a presidente em exercício, Rose de Freitas, não tenham competência para conduzir os trabalhos, mas numa pauta tão polêmica, precisamos do titular de um poder para tomar as decisões”, ponderou.
As MPs que o governo quer votar antes são:
- 517/10: reduz a zero o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos de títulos privados se o comprador residir no exterior;
- 520/10: cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para apoiar os hospitais universitários federais;
- 521/10: traz emenda que cria um regime especial para a licitação das obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Originalmente, a MP trata do valor da bolsa de médico residente, além de garantir licença-maternidade e paternidade a esse profissional.
Acordo descumprido
Para o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), o adiamento da votação da proposta relatada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) deve ser debitado na conta do Palácio do Planalto, “que descumpriu acordo fechado com todos os líderes partidário e correu da votação por não conseguir controlar uma base parlamentar construída por meio do fisiologismo”. Ele afirmou que a relação de confiança entre as lideranças é de fundamental importância para o bom funcionamento da Casa.
“A votação do texto principal e de um destaque da oposição foi acordada com o líder do governo [Cândido Vaccarezza]. Quando chegamos ao plenário, o governo adia a votação. Foi algo que nunca se viu aqui no Parlamento do ponto de vista da palavra e do compromisso. Quebrando essa linha de confiança e é evidente que teremos agora uma relação mais tumultuada entre governo e oposição”, previu Bueno.
O Psol, que apresentou requerimento de retirada de pauta do projeto na sessão de quarta-feira, divulgou nota criticando diversos pontos do relatório de Aldo Rebelo. Para o partido, as últimas alterações no texto feitas por Rebelo “enfraquecem o controle ambiental”.
Deputado do PV, que apoiou o adiamento da votação, Alfredo Sirkis (RJ) também criticou o relatório. “Não podemos correr o risco de aprovar um texto assim, sem conhecermos os detalhes da proposta, apenas para depois fazer a delícia dos advogados dos grandes desmatadores”, afirmou.
Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Marcos Rossi
Reportagem da Agência Câmara de Notícias, no EcoDebate, 13/05/2011
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terça-feira, 10 de maio de 2011

Por que eles querem mudar o Código Florestal‏?

Preocupados com o próprio bolso, Aldo, Cassol, Irajá, Quartieiro, Queiroz e Campos representam tudo o que um parlamentar jamais deveria fazer: legislar em causa própria.

A regra deveria ser: deputados e senadores eleitos pelo povo devem zelar pelo bem comum, certo? Nem sempre. Caso emblemático é a insistência de alguns políticos em aprovar a toque de caixa o projeto de lei que institui o novo Código Florestal. Pra que tanta pressa? Segundo reportagem da Istoé , a explicação é simples: legislar em causa própria e proteger o próprio bolso. Os interesses de pelo menos 27 deputados e senadores não passam nem perto do bem da nação.

A revista revela que, caso o projeto de lei do Código Florestal seja aprovado, os ilustríssimos políticos listados se livrarão de multas pesadas e se beneficiarão por desmatarem ilegalmente. De acordo com a reportagem eles já foram punidos pelo Ibama por agressão ao meio ambiente e o novo código que queriam aprovar a toque de caixa prevê anistia para multas impostas a desmatadores. O benefício se estenderia também a empresas e empresários do agronegócio que, nas eleições do ano passado, fizeram pesadas doações a esse bloco parlamentar ligado à produção rural.

O deputado Paulo César Quartiero (DEM-RR) é um exemplo típico. Campeão de infrações, ele foi multado em R$ 56 milhões por eliminar 2,7 mil hectares de vegetação sem autorização em Pacaraima (RR), destruir outros 323 hectares de vegetação nativa e impedir a regeneração em mais 3,5 mil hectares. Foram duas infrações em 2005 e mais duas em 2009.

O Ibama também pegou o deputado Irajá Abreu (DEM-TO), filho da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que foi multado no ano passado por desmatar uma propriedade em Tocantins.

O senador e fazendeiro Jayme Campos (DEM-MT) é outro que se inclui na turma da motosserra. Foi multado em R$ 5 milhões por quatro infrações impostas em 2004 e 2005.

O interesse do bloco ruralista vai além. Eles também defendem seus financiadores de campanha. Empresas ligadas ao agronegócio doaram pelo menos R$ 45,5 milhões para deputados e senadores nas eleições do ano passado segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.

Reportagem parecida foi produzida pelo Correio Braziliense no dia 19 de abril. O texto afirma que os ruralistas têm mesmo motivos para impor as mudanças que põem abaixo o Código Florestal. Pelo menos 15 deputados federais e três senadores da bancada da motosserra seriam beneficiados com a alteração da lei. Multados pelo Ibama por crimes ambientais, eles teriam essa mancha apagada de suas fichas caso a proposta seja aprovada.

fonte:http: //www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/por-que-eles-querem-mudar-o-cdigo-florestal/blog/34640

sábado, 7 de maio de 2011

Aos que virão depois de nós (Bertolt Brecht)

Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de
estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a
quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

II

Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.

III

Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Aldo Rebelo diz que cedeu sobre APPs para garantir votação do novo Código Florestal


Publicado em maio 3, 2011 por HC
Relator abre mão da redução do tamanho de APPs às margens de rios e do fim da exigência de mata nativa em topos de morros e encostas. Segundo ele, ainda falta consenso sobre um ponto do texto, que é a definição de reserva legal para propriedades de até quatro módulos fiscais.
Com o objetivo de garantir a votação, nesta quarta-feira (4), do projeto que altera o Código Florestal (PL 1876/99 e outros), o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) abriu mão de alguns pontos polêmicos que constavam da primeira versão de seu parecer. Entre eles, o tamanho da Área de Preservação Permanente (APP) às margens de rios e a exigência de mata nativa em topos de morros e encostas. Aldo explicou nesta segunda-feira, porém, que ainda falta consenso com o governo sobre a definição da reserva legal em pequenas propriedades.
Em relação às APPs às margens de rios, o primeiro substitutivo pretendia reduzir de 30 para 15 metros essa área no caso de córregos – menos de 5 metros de largura. O novo texto mantém as faixas atuais da mata ciliar, que variam de 30 metros, para rios de até 10 metros de largura; a 500 metros, para rios com largura superior a 600 metros.
Um acordo permitiu que, apenas no caso de APPs já devastadas às margens de rios de até 10 metros, o agricultor ou morador da área será obrigado a reconstituir a mata ciliar pela metade, ou seja, 15 metros. Nos demais casos, a APP deve ser mantida integralmente, o que, segundo Aldo Rebelo, trará prejuízos para a agricultura.
Ele argumentou que, nos rios São Francisco ou Xingu, por exemplo, se persistir a obrigatoriedade de preservar 500 metros de mata ciliar, “a pequena agricultura vai deixar de existir”. Para resolver a questão, ele informou que os órgãos ambientais estudam a possibilidade de permitir alguma atividade de baixo impacto nessas áreas, que não inviabilizem completamente sua utilização.
Aldo também devolveu ao texto a exigência de preservação de mata nativa nos topos de morros, encostas e áreas acima de 1,8 mil metros de altitude. Essas serão áreas de utilização restrita, segundo explicou. Algumas atividades, como cultivo de maçã, café, uva e pastoreio extensivo, poderão ser desenvolvidas, assim como outras definidas pelos órgãos ambientais.
Reserva legal
No ponto que resta de divergência com o governo, Aldo Rebelo informou que quer manter em seu substitutivo a determinação de que as propriedades de até quatro módulos fiscais possam declarar como reserva legal apenas as matas nativas de que dispunham em julho de 2008, sem obrigatoriedade de recomposição das áreas utilizadas em desacordo com a legislação até aquela data.
O governo, ao contrário, quer que todos os proprietários sejam obrigados a recompor as áreas usadas irregularmente. O relator argumentou que não há condições para que os pequenos produtores rurais recomponham essas áreas porque não têm espaço disponível. “Também não há como compensarem porque eles não dispõem de recursos para isso”, acrescentou.
No caso da retirada das APPs do cálculo da reserva legal, proposta por Aldo, o governo cedeu. Ficou mantida no texto a previsão de cálculo da reserva apenas a partir da área que excede quatro módulos fiscais. “Do contrário, podemos prejudicar aquele que tem um pouco mais que isso”, explicou.
As duas partes também concordaram em permitir a compensação de áreas atualmente utilizadas em desconformidade com a lei em qualquer parte do território brasileiro, desde que no mesmo bioma. Hoje a lei condiciona essa possibilidade à mesma bacia hidrográfica e ao mesmo estado. A compensação poderá ainda ser feita na forma de consórcio ou em parques nacionais que ainda não foram pagos pelo governo.
Reportagem – Maria Neves e José Carlos Oliveira
Edição – Maria Clarice Dias
Reportagem da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 03/05/2011
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